POR QUE QUEREMOS SEMPRE MAIS?

Por que nos sentimos tristes quando não podemos ter o que queremos? Por que haveríamos necessariamente de ter o que desejamos? Acreditamos ser nosso direito, não é? Mas já nos perguntamos do porquê do desejo de possuir o que queremos, quando milhões não conseguem possuir sequer o que necessitam?

Há a nossa necessidade de alimento, roupa e abrigo; mas não estamos satisfeitos com isso. Queremos muito mais. Queremos sucesso, respeito, queremos ser amados e considerados; queremos ser poderosos, queremos ser poetas famosos, oradores invejados, diretores, presidentes. Por quê? Já refletiram isso? Por que desejamos todas essas coisas?

1012Não que devamos ficar satisfeitos com o que somos, não é o que quero dizer, porquanto isso seria uma tolice, uma estagnação horrível. Mas por que essa constante ânsia por mais, mais e mais? Essa inquietação indica que estamos insatisfeitos, descontentes; mas com quê? Com o que somos? Eu sou isto, não gosto do que sou, então quero ser aquilo. Penso que parecerei muito melhor num novo casaco, ou um novo carro, então eu o desejo.

Bem, estou insatisfeito com aquilo que eu sou e creio que posso escapar deste descontentamento adquirindo mais coisas, mais poder e assim por diante. A insatisfação está em mim, naquilo que eu sou, não está? E eu simplesmente cobri esta insatisfação de roupas, de poder, de carros; mas a insatisfação continua lá, porque ela está naquilo que eu sou e não nas coisas que utilizo.

Mesmo assim, sem saber o que sou, e saciando os interesses do corpo, dos vícios, da vaidade, da sensualidade e da ambição, eu consigo ser falsamente feliz por algum tempo. Mas virá, cedo ou tarde, a tristeza, porquanto nem o dinheiro, nem a saúde, nem a beleza, nem mesmo o corpo físico são patrimônios imperecíveis.

Então, a pessoa infeliz, não podendo mais se revestir de beleza, ou de saúde, ou de posses e vaidades, ao investigar o fundo de sua própria dor, verificará que ela é muito pequena, vazia e limitada, porque têm lutado para adquirir, para vir a ser aquilo que ela quer ser, mas por meio de coisas estranhas àquilo que ela é! E essa luta para adquirir, para se tornar alguma coisa que não se é, é a causa do sofrimento existente em todos os graus sociais.

Sem compreender o que somos, estaremos inclinados à competição alienada para nos cobrirmos de adornos, posses, poder e posições, e contudo, permaneceremos angustiados, incapazes de preencher o vazio resultante da fome que não sabemos saciar, porque não sabemos o que nós somos.

Mas, se começarmos a compreender aquilo que realmente somos, e se nos aprofundarmos cada vez mais nisso, verificaremos que algo completamente diferente acontecerá.

(Releitura do texto original “O VERDADEIRO OBJETIVO DA VIDA”, de Jiddu Krishnamurti)

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