MATANÇA, AMOR E VEGETARIANISMO

A maioria de nós tem a preocupação de não matar, e esse é realmente o nó da questão: Não matar. Mas, se comemos carne ou peixe, para evitar o ato de matar, vamos ao açougue e transferimos a culpa para o magarefe do matadouro, furtando-nos do problema. Todavia, esta é uma visão muito superficial da questão, cujo cerne é muito mais profundo.

Se já não desejamos matar animai1005s para abastecer o nosso estômago, ainda não nos repugnamos ao apoiar governos que estão organizados para matar. Ora, todos os governos soberanos do mundo se baseiam na violência, e, por isso, precisam de exércitos, de marinha e de força aérea.

Não nos horrorizamos em apoiá-los, mas fazemos objeção à terrível calamidade de se comer um bife! Veja bem como isso é ridículo. Investigai a mentalidade de um homem que é nacionalista, que não repudia a explorarão nem a impiedosa destruição de seres humanos de outras nações, que não repudia o aborto, que considera insignificante o morticínio de seus semelhantes, mas que tem “escrúpulos” a respeito do que lhe entra pela boca, sem com isso incomodar-se com as calúnias e agressões que dela saem.

Afinal de contas, o problema diz respeito não somente à matança de animais, mas à matança de seres humanos! Podemos nos abster de nos alimentarmos dos animais e sentir compaixão do seu sacrifício tão-somente para agradar o nosso paladar, mas o que tem realmente importância nesta questão é o problema da exploração e da matança, não apenas de entes humanos em tempos de guerra, mas da maneira como exploramos as pessoas, como tratamos os nossos companheiros de trabalho, os nossos empregados, como os olhamos de cima para baixo, como inferiores.

Provavelmente não estamos dando atenção a isso, porque está muito perto de nós e requer esforço de nossa parte. Julgar e condenar é muito mais fácil que compreender e respeitar.

Preferimos, geralmente, discutir a respeito de Deus, da reencarnação, do vegetarianismo, e competimos para ter razão, para saciar a nossa necessidade mesquinha de estarmos certos. Se assim agimos, pouco importa se ainda comemos carne.

Sim, o massacre dos animais em nome do estômago é horroroso. Mas não basta combater o efeito sem examinar o agente causador da agressão aos animais, da violência na convivência, da indiferença, da intolerância, da ambição e da competitividade que ressecam o coração e eliminam a paz da vida em sociedade.

Se não percebemos o quanto estamos definhando em valores éticos para a coletividade, se achamos que este “modus vivendi” atual é normal, é sinal de que estamos alienados, e que mudanças radicais, dentro de cada um de nós, se faz urgente.

(Contém fragmentos do livro de conferências compiladas “Nosso Único Problema”, de Jiddu Krishnamurti)

https://www.youtube.com/watch?v=DJsCIP55Tbk

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