IDEOLOGIA DE MASSAS FABRICADA

Nas últimas duas décadas, a riqueza material da Terra cresceu mais de três vezes; entretanto, a miséria mundial se multiplicou sete vezes. A implantação do capitalismo e o direcionamento de foco do proletariado para o consumismo são fórmulas psicossociais do emburrecimento popular, mantendo a concentração de capital sob o controle das elites.

O homem que compõe as massas do sistema consumista-egocentrista, uma vez que não conhece a si mesmo e, portanto, não reconhece as próprias paixões é, geralmente, escravizado por elas. A ideologia fabricada pelas elites, através do meio político, implementa e controla os veículos da mídia, de modo a produzir os ideais de massa balizados no consumo, no prazer biológico e nos status de vaidade. Então, um homem que cresceu neste ambiente social, tem as suas atitudes menos dignas justificadas, porque afinal, “todo o mundo faz”.

523Em meados de 1945, no final da segunda grande guerra, tínhamos no Brasil a cultura de massas parcialmente instalada, através de investimentos estatais e privados, operados por empresas familiares. Imprensa, rádio e cinema foram os protagonistas da indústria cultural dos anos 1930/1940. Com formatos e linguagens definidos, estes meios dirigiam-se para o entretenimento e construção de estereótipos de brasilidade e nacionalismo, caracterizando, assim, ideologias fabricadas para o consumo e a exaltação da personalidade, onde o “ter” vem substituir o “ser”.

As pessoas, quando ocupadas em competições de orgulho e hábitos viciosos, consomem mais, estão sempre brigando entre si, e, portanto, sem tempo nem vontade para questionar as raízes do sistema que sustenta as suas paixões. O estado politizou a cultura, construindo as identidades ditas nacionais, como o futebol e o carnaval, que foram muito bem alimentados pelos veículos da mídia, a fim de atender às finalidades de mercado e ideologia do emburrecimento pelo entretenimento, atravessando as culturas brasileiras, da erudita à popular, e fixando-se como elemento fundamental da cultura sensualista e alienada da atualidade.

Aqui, você diria: Mas, será assim tão grande esse constructo ideológico? Vejamos…

O futebol, excelente veículo de distração de massas balizado no ego competitivo, caracteriza muito bem a tão conhecida política do pão e circo dos antigos povos gregos. Não temos hospitais, nem escolas, nem professores decentemente remunerados, mas estamos orgulhosos pelos estádios modernos que exibimos ao mundo. Que importa, se num ranking de quarenta países, o Brasil é o trigésimo nono em educação? Mas estamos muito, muito aborrecidos mesmo porque o Brasil caiu duas posições no ranking da FIFA. Sim, alienação!

Ora, o que pensar, então, destes “esportes” violentos estilo luta livre, que demonstram como estamos identificados com a baixeza deste tipo de entretenimento? O homem que se compraz no próprio atraso, dificilmente consegue se autoavaliar de forma imparcial, porque é na saciação das suas torpezas que ele obtém prazer. As paixões nos impedem de perceber que nem sempre aquilo que gostamos é o que nos traz boas consequências a médio e longo prazo.

O carnaval, que é uma fábrica de incentivo aos excessos de todos os gêneros, é “vendido” pela mídia como um lazer saudável. Os métodos contraceptivos são muito bons para o controle populacional e impedem que um casal tenha uma gravidez indesejada. Mas, será que esse é o ponto? O que pensar dos usos que têm por efeito deter a reprodução em vistas de satisfazer a sensualidade? Talvez, o problema esteja nos excessos que a indústria cultural, através da mídia, e viabilizados pelas nossas fraquezas, engendram no comportamento coletivo.

Feito porcos que gostam de chafurdar no lodo, até que ponto somos manipulados para pensarmos que somos senhores de nós mesmos, e não meros escravos das inclinações que sinalizam o nosso atraso moral?

Quem nos garante que até os partidos políticos das nações não sejam, talvez, “bandeiras” de um partido global único, que antecede a Revolução Industrial, e que nos conduz feito marionetes, dando-nos a “lavagem” que tanto gostamos? Quem poderia afirmar que não estamos, talvez há séculos, sendo iludidos com falsas liberdades de escolha, totalmente inconscientes da realidade, realidade esta que sequer sabemos que existe por detrás do sistema político-fantoche?

Pensemos nisso.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s