A HIPNOSE DO CONFORTO

O entendimento das leis espirituais confere-nos a capacidade de crescer diante da dor. É sabido que o amadurecimento humano se dá muito mais rápido pelas dificuldades do que pela via do acomodamento, porquanto as facilidades nos impelem apenas ao relaxamento e ao desfrute. O crescimento espiritual, no entanto, ocorre de maneira acelerada através das horas desafiadoras em que necessitamos sair do acomodamento para enfrentar a doença, a cirurgia, a demissão, o desemprego, a ofensa, a solidão, o abandono…

649Depois de passar pela prova sem lamentar, de enfrentar o mal sem desejar o mal, descobrimos que somos mais capazes do que supúnhamos. Assim, compenetrados disso, como poderíamos maldizer os obstáculos que qualificam e promovem o nosso caráter? Como maldizer o sofrimento que nos faz chorar agora, mas que garante o sorriso perene da sabedoria e do sentimento equilibrado do amanhã?

Certamente não podemos encarar as dificuldades da vida como castigos divinos, uma vez que estes “espinhos” possibilitam-nos vencer, em nós mesmos, os defeitos do orgulho, da vaidade, do interesse pessoal que nos assombram a personalidade. O sofrimento de uma semana de aflições dentro de num hospital consegue, às vezes, transformar um pessoa de tal maneira, que uma vida inteira regada a conselhos, palestras e livros jamais poderia.

Sem as ferramentas benditas da lapidação pela dor, geralmente, não conseguimos nos desvencilhar das amarras do orgulho, e chegamos no momento do desencarne emocionalmente perturbados por ressentimentos, mágoas e “toneladas” de arrependimentos. Contudo, graças à dor pungente de apenas alguns dias, podemos nos tornar capazes de pensar melhor, de reavaliar nossas escolhas, e de conseguir ver o mundo e as outras pessoas com olhos mais tolerantes e indulgentes, coisa que o nosso estado “normal” de indiferença nas relações de convivência não permitiria.

Quando a hipnose do conforto é rompida pela lucidez que a dor propicia, a vaidade, a presunção, a importância da personalidade diminuem, e é essa diminuição das barreiras de orgulho que, ao longo do tempo, nos possibilita ver as necessidades incalculáveis que todos temos de transformação interior.

Deus não fez criaturas frias, egoístas e reativas; Deus criou seres capacitados para buscar, na luz da reflexão, a capacidade de agir com a coragem de quem compreende a situação de expiação e prova em que se encontra, e do destino luminoso que assinala cada alma encarnada.

Queridos irmãos, refletindo sobre quem somos, onde estamos e para onde vamos, busquemos força para agir acima do interesse pessoal transitório, porquanto, se fôssemos já bondosos, como geralmente supomos, não estaríamos num mundo que tem no sofrimento a sua principal alavanca de progresso moral.

Pensemos nisso.

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