SOBRE A BUSCA PELA VERDADE

O estudo e o aprendizado exigem calma e recolhimento. Sem dúvida, cada um de nós deseja a difusão das idéias que julgamos justas e úteis, todavia, o antagonismo sistemático de princípios é sempre causa de perturbação, porquanto a discussão útil não dispensa a modéstia das partes que, num ciclo infindável de teses, antíteses, sínteses e novas teses, buscam aproximar-se da verdade, o que é bem diferente da presunção daqueles que disputam a imposição de suas opiniões pessoais.

924Em certos grupos há uma espécie de rivalidade ou antagonismo. Qual a causa? Esta causa reside no orgulho humano de querer impor-se. Esta fraqueza está, sobretudo, no conhecimento incompleto dos verdadeiros princípios das coisas.

Cada um defende as suas idéias, e essas dissidências só existem porque há pessoas que querem julgar sem terem visto tudo, ou que julgam do ponto de vista de sua personalidade. À medida que a ciência se reformula, a verdade se desenha, saída sempre do exame imparcial das diferentes opiniões, e não daqueles que assumem, presunçosamente, já possuí-la.

Esperando que a luz se faça sobre todo o globo, dirse-á que o juiz é a razão. Mas quando duas pessoas se contradizem, cada uma invoca a sua razão. Então, qual razão superior decidirá entre as duas?

Sem nos determos à forma retórica mais ou menos imponente da linguagem, forma esta que os pseudo-sábios sabem muito bem tomar para seduzir pelas aparências, partimos do princípio de que a verdade não pode proceder do interesse pessoal nem de uma má intenção de sentimentos; a verdade deve ser isenta de arrogância, presunção ou azedume, numa palavra, deve estar marcada pela benevolência.

Jamais um homem sensato poderia acreditar que a inveja, o rancor, a malevolência ou qualquer outro sentimento contrário à caridade pudesse emanar de uma fonte pura. Procurai de que lado há mais caridade moral prática, e não de palavras, e reconhecerei de qual lado terás razão de esperar a verdade.

Quem quer que, sondando o foro íntimo de sua consciência, encontrar um germe de rancor contra o próximo, mesmo um simples desejo do mal, pode dizer a si mesmo, sem sombra de dúvida, que é solicitado por um Espírito mau, porque esquece estas palavras do Cristo: “Sereis perdoados como vós mesmos houverdes perdoado.”

(Contém trechos de “Jornal de Estudos Psicológicos”, ano III, p. 162 a 165)

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