SÓ A DOR NOS FAZ VER O QUE É VERDADEIRO

Não se pode descobrir o que é verdadeiro enquanto a mente estiver à procura de consolo. A maioria das pessoas não age como indivíduo, pois está condicionada a pensar e agir por influência de sistemas culturais, religiosos e políticos.
 
Um indivíduo é uma pessoa que, através do questionamento, descobre os valores corretos; mas, só se pode questionar – verdadeiramente – sob a influência do sofrimento, porque apenas o sofrimento possibilita o desapego, o descolamento das ilusões exigentes do orgulho, do senso comum, dos pré-conceitos e dos julgamentos.
 
Quando se sofre ao ponto de diminuir o orgulho, a mente se torna perspicaz e verdadeiramente viva; somente nesse estado de espírito é que podemos nos questionar sobre qual é o verdadeiro valor dos padrões que a sociedade, as religiões, os sistemas políticos instauraram ao nosso redor.
 
578O orgulho nos faz pensar que somos muito grandes e fortes, e, geralmente, apenas um sofrimento muito intenso é capaz de diminuí-lo, possibilitando-nos enxergar o quanto estamos imersos na pequena e frágil vida exteriorizada, e desligados da essência imutável que nos é própria.
 
Pelo medo de não termos segurança, atacamos; pelo medo de sofrer, agredimos; pelo medo de perder, competimos. O ego-orgulhoso quer destaque, ele precisa “estar por cima”, e cria falsas necessidades, como: “você precisa estar certo”, “você precisa ser superior”, “você precisa ter mais”.
 
Assim, inconscientemente escravizados pelo ego, competimos pelas coisas mais banais. Observe o trânsito: as pessoas competem como se estivessem numa verdadeira corrida de automóveis, com bandeirada e tudo.
 
Apegados a estes conceitos falsos do orgulho, vivemos tensos para não perder o posto que conquistamos, e exigimos que os outros ajam da forma que julgamos ser correta; quando agem de maneira diversa do que queremos, sofremos o orgulho-ferido e, então, emocionalmente perturbados em ofensa e ressentimento, agredimos.
 
O ego prolifera a intolerância que nos divide. Tais divisões somente cessam quando o ego se vê enfraquecido, e, a melhor ferramenta para destruir o ego é o sofrimento individual e, principalmente, coletivo. Somente a dor faz os homens pararem de competir por ilusões de vaidade e status material; somente a dor lhes faz enxergar o que realmente são: irmãos.
 
Enquanto a busca por poder, conforto e segurança repousar no prazer material e na ruptura da ética fraternal pelo interesse pessoal, o homem permanecerá nublando, em si mesmo, as metas profundas da vida, e o sofrimento continuará sendo o seu remédio amargo de cura.
 
Pensemos nisso.
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