ABC DA CIÊNCIA ESPÍRITA

Os maus Espíritos são atraídos pelos maus pensamentos, e por maus pensamentos devemos entender todos aqueles que não se acham de acordo com os preceitos da caridade evangélica. Todo aquele que alberga sentimentos contrários aos preceitos do Cristo, traz consigo Espíritos desejosos de semear a perturbação, a discórdia e o desamor.

A comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem é condição de primeira necessidade, não podendo ser encontrada num meio onde têm acesso as paixões inferiores do orgulho, da inveja e do ciúme, paixões que sempre se revelam pela malevolência e pelo azedume de linguagem, por mais espesso seja o véu com que se procure cobri-las.

754Se quisermos fechar aos Espíritos maus a porta desse recinto, fechemo-lhes primeiramente a porta de nossos corações, evitando tudo quanto lhes possa outorgar poder sobre nós. Conhecemos o provérbio: Dize-me com quem andas e te direi quem és. Podemos parodiá-lo em relação aos nossos Espíritos simpáticos, dizendo assim: Dize-me o que pensas e te direi com quem andas.

Ora, os pensamentos se traduzem por atos. A discórdia, o orgulho, a inveja e o ciúme só podem ser insuflados pelos Espíritos maus, e as pessoas que denotam estes elementos de desunião nas relações da convivência, acusam, por si mesmas, a natureza de seus satélites ocultos.

Necessitamos da simpatia dos Espíritos bons, e tal simpatia só é adquirida pelos que afastam os maus com a sinceridade de suas almas. O objetivo da Ciência Espírita não consiste apenas na pesquisa dos princípios dos efeitos físicos; vai mais longe: estuda, sobretudo, as suas consequências morais.

O mundo invisível que nos circunda reage constantemente sobre o mundo visível. Conhecer os efeitos dessa força oculta que nos domina e subjuga, mau grado nosso, é ter a chave de uma multidão de fatos que passam despercebidos. Se esses efeitos são funestos, conhecer a causa do mal não será ter um meio de consolar-se do sofrimento atual, e de preservar-se contra sofrimentos futuros?

Isto posto – e compreendido – , se ainda sucumbimos, não podemos mais nos queixar senão de nós mesmos, visto não termos a ignorância como desculpa. O perigo está no domínio que os Espíritos maus exercem sobre os encarnados.

Uma de suas táticas é inspirar-nos a desconfiança e o isolamento, a fim de que ninguém os possa desmascarar, esclarecendo as pessoas obsediadas com conselhos salutares. Uma vez senhores do terreno, podem fasciná-las à vontade, através de promessas sedutoras, e subjugá-las por meio da lisonja às suas inclinações, aproveitando os lados fracos que descobrem para, em seguida, melhor fazê-las sentir a amargura das decepções, feri-las em seus afetos, humilhá-las em seu orgulho e, muitas vezes, soerguê-las por um instante tão-só para precipitá-las de mais alto.

(Allan Kardec, Revista Espírita – Jornal de Estudos Psicológicos, ano II – 1869)

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