CONDIÇÕES DE FELICIDADE

Numa visão caótica e pessimista da vida, estabeleceu-se que a felicidade resulta do triunfo em qualquer área dos prazeres de rápido deleite, o que deu origem aos de natureza material, portanto sensuais, como o orgasmo, o dinheiro, o êxito com todo refinamento de sucedâneos, desde a alimentação aos relaxantes banhos, massagens, variações de moda, frivolidades…

Apesar do bem-estar que proporcionam, cedem lugar a outros anseios, convertendo-se em tormentos — conscientes ou não — geradores de conflitos por competitividade, como diante do inevitável desgaste corporal face à idade e à doença, e às fugas para os alcoólicos, drogas aditivas, tabaco ou depressões profundas…

743Além desses, surgem, como metas felizes, os prazeres emocionais, que induzem aos relacionamentos humanos, promocionais do campo midiático e das representações sociais, políticas, econômicas e religiosas, portadoras de grande valorização para o ego. Essas metas do sentimento, que são gratificantes, também têm o sentido do efêmero, tão rápidos são os relacionamentos, e perturbadores os status humanos, que não preenchem os vazios interiores.

A crença indevida de que a infância tranquila e sem preocupações seria um período sem traumas, nem sempre corresponde à realidade. Sem dúvida, uma infância rósea é fator positivo, porém, não essencial à felicidade; pois cada um traz consigo as predisposições comportamentais e cármicas para a atual experiência, convivendo com os fatores que merece, graças aos quais deve amadurecer emocionalmente e dispor-se para a auto-realização.

Qualquer tipo de crescimento, especialmente psicológico, redunda em sofrimento emocional. A libertação de uma fase — infantil, adolescência, idade da razão — ocorre como se fora um parto com dor, culminando, biologicamente, com a terceira idade, quando se dá a morte do invólucro carnal.

Quanto mais apego ao ego, mais as recordações positivas sucumbem perante as negativas, em razão da valorização do desagradável marcar mais no ser egóico, que se vê preso a um atavismo masoquista inconsciente.

Assim, os problemas existenciais podem perturbar a identidade quando o ser é frágil, psicologicamente, e sem experiências desafiadoras, espiritualmente.

Nos períodos de formação da personalidade — infância e juventude — é comum orientar-se o educando para as conquistas externas a qualquer preço, identificando os valores sociais e econômicos, não raro em detrimento da realização interior. Somente quando são estabelecidas metas de triunfo íntimo, é que se alcança a correta identificação do ser com os legítimos objetivos da reencarnação.

o-ser-consciente-gNessa fase de indefinição, muitos indivíduos são induzidos a satisfazer as ambições malogradas ou vitoriosas dos seus pais, educadores e chefes, que projetam sua sombra nos filhos, alunos e subordinados, sem pensarem na realização pessoal dos seus dependentes. Essa conduta é responsável por muitos conflitos, que impedem um discernimento claro do que seja realmente a felicidade. Diante disso, a idade da razão pode apresentar-se atemorizante e perturbada por contínuas crises existenciais.

Constatar que as conquistas do mundo não são plenificadoras, defrauda as aspirações e tira o sentido da vida dos que depositam a felicidade nestas transitoriedades. Em mais ou menos tempo, tanto o triunfo quanto o fracasso externo produzem frustração e incompletude. Nesse período, a constatação do tudo efêmero impulsiona o ser na direção da felicidade, e é nesse nível de consciência que a busca alcança os patamares elevados do amor desinteressado, da paz íntima e da realização espiritual.

A partir daí, a reflexão se torna frequente, a oração faz-se natural e a meditação é um reconforto normal. Amadurecendo, o indivíduo irradia do mundo interior o bem-estar e passa a fruir de felicidade.

Isto não o impede de ter problemas, que passa a administrar com equilíbrio, não se perturbando, nem se deprimindo com eles. São os problemas, solucionados, que proporcionam maturidade e harmonia íntima. Sem eles, como exercícios, torna-se improvável o êxito moral.

(Do livro O Ser Consciente – Joanna de Ângelis – psicografia de Divaldo Pereira Franco)

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