O ORGULHO-FERIDO REVELA QUEM SOMOS

Será que os bons são realmente bons? O que é bondade, senão soma de virtudes? E como um mal qualquer seria capaz de tornar reativa no mal uma pessoa virtuosa, que aprendeu a tolerar, a perdoar, que desenvolveu valores de humildade?

Ora, se um mal exterior me faz expor um interior apodrecido pelo desejo do revide, poderia eu – em sã consciência – julgar-me bom? Dizer “sim” seria como assumir que o mal destrói as virtudes já conquistadas, transformando os bons em maus. Num primeiro golpe de vista, parece mesmo ser isso o que vemos acontecer na convivência em sociedade.

685Mas será que somos mesmo bons como nos julgamos ser? Refletindo, percebemos se somos bons apenas quando recebemos o mal, e esse mal não se torna um sentimento de reação maldosa dentro de nós.

Se não somos capazes de impedir que o mal fora de nós se torne um mal dentro de nós, é evidente que não possuímos, pelo menos não em caráter suficiente, as virtudes que caracterizam a bondade.

A convivência é imensa escola do aprendizado pela divergência, cujo fim é nos fazer desenvolver as virtudes que, pela falta, nos mantém presos a um mundo de “injustiças”, que são as provas ou as expiações dos nossos erros pretéritos.

Ora, como aperfeiçoar qualquer virtude sem vivenciar o seu contrário? Como se tornar tolerante sem os testes que fustigam a intolerância? Como aprender a perdoar sem lidar antes com muitas situações de ofensa? Como podemos nos dizer bons se, ao primeiro contra-gosto nos tornamos maus como aquele que nos feriu?

Que bênção é a reflexão, não é?! A razão e a fé são o elo entre o homem e Deus. Se a causa do mal que sofremos não se encontra na vida presente, é preciso buscá-la numa precedente existência. Não há verdadeiras injustiças! Colhemos sempre aquilo que semeamos, e negar este princípio é negar a Deus, que é a bondade e a justiça infinitas.

Coragem, irmãos! É preciso mais coragem para vencer a si mesmo do que para revidar o ataque dos outros. A porta é estreita, e o orgulho por ela não passa. O orgulho nos faz pensar que somos bons; mas o orgulho-ferido revela quem nós somos.

“Só há dois tipos de homens: os pecadores que se veem justos, e os justos que se veem pecadores” (Pascal)

Pensemos nisso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s