COMBATER O ORGULHO PARA DIMINUIR O SOFRIMENTO

Quantos de nós assumem ser orgulhosos? Geralmente, dizemos: “Não… eu sou humilde!”

Ah é?… até o momento que pisarem no seu pé, que tirarem o seu lugar, que te tratarem mal no balcão de uma loja. Humildade não é questão de discurso, mas de atitude. Só sabemos se somos humildes quando o mal dos outros não produz um desejo de reação maldosa em nós; mas se nos iludimos com a bondade que não temos, permanecemos estagnados.

680O ego não aceita ser contrariado; ele nos coloca no centro do mundo feito crianças emburradas, e convence-nos de que o mundo não pode ser do jeito que o mundo é. Na convivência haverá sempre situações de injustiça aparente; se procurarmos por situações que nos aborreçam, as encontraremos em todos os lugares, como no trabalho, na escola, no lazer, etc.

Há pessoas que brigam na fila do cinema; que vão se distrair e, literalmente, dão shows de agressividade e palavrão, seja porque alguém furou a fila, porque a fila não anda, por qualquer motivo. Sempre que nos comportamos de maneira reativa é sinal de que estamos sofrendo a identificação com o ego-orgulhoso. A essência do ser humano não é o ego. Mas, por assimilarem, erroneamente, a essência com as superfícies de aparência, as pessoas, geralmente dizem umas às outras:

“- Reaja! Mostra para essa fulana o que acontece com quem mexe com você! – Que grosseria! Vai deixar assim? Você tem sangue de barata?”

Então, você está parado num semáforo, e, alguém do seu lado buzina ou acelera. Você pensa:

“- Ah, quer correr? Vou mostrar quem é que corre mais!”

Pronto! você já se identificou com o ego que o outro está mostrando que tem. Ao agir assim, você está sendo manipulado por ele; a buzina do carro de trás é que te controla e faz você reagir, e não a sua inteligência.

Quando ficamos ofendidos, criamos o mesmo tipo de energia destrutiva que nos feriu; é isso que nos leva ao desejo do revide; é isso que leva as pessoas à agressão e ao contra-ataque; é isso que leva as nações à guerra. É o orgulho individual, o orgulho de classe, o orgulho nacional que produz a divisão, a aflição, os conflitos, a destruição e a morte.

É muito importante que nos desvinculemos, de todas as formas possíveis, desses horrores que nascem da identificação maciça com o ego-orgulhoso. Ofender-se todo o dia é a garantia de viver desequilibrado, mental e emocionalmente. Ora, não é possível atingir um estado de equilíbrio ofendendo-se a cada 5 minutos.

Não aceite a condição de ofendido; só existe a ofensa quando você se enfraquece. Ao decidir não se vitimizar, você adquire, gradualmente, a capacidade de tornar-se um observador, e isso te envolve numa atmosfera cada vez mais robusta de neutralidade. Com o tempo e o hábito você solidifica esse estado de equilíbrio, gozando, por consequência, de maior serenidade e alegria de viver.

Quando estiver numa discussão, pergunte a si mesmo: “- Quero estar certo ou quero ser feliz?”. Quando você permite que um mais tolo fale; quando você se empenha em respeitar as opiniões diferentes das suas, sem precisar concordar ou discordar delas; quando, enfim, você se coloca no lugar daquele que agiu mal porque, talvez, não possua a cultura, a educação, os conceitos de moral que você já possui, você atinge um crescente estado de serenidade.

E é isso que faz com que você, ao longo do tempo, não mais sofra o orgulho-ferido, nem tenha mais aquela falsa necessidade – do ego – de querer estar certo.

Desse modo, nesse estágio de combate e vencimento de si mesmo, você já não se incomoda tanto com as atitudes exteriores e passa a julgar menos os atos dos outros, porque só existe a necessidade de julgar os outros quando nos ofendemos com os seus atos.

Conscientes de que as diferenças da convivência constituem a grande e sublime escola das virtudes que necessitamos aprender para vivermos satisfeitos e em paz, passamos, verdadeiramente, a caminhar com alegria pela vida.

Mais sobre o assunto, no programa Alimento para a Alma intitulado “Como diminuir nossas aflições – Parte I”, acessível aqui:

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