O sofrimento causado pela ação dos outros é realmente CAUSADO pelos outros?

Hipotética:

Duas pessoas sofrem um mesmo tipo de agressão (física ou moral, não importa). Se a agressão é física, elas experimentam alguns momentos de dor pela lesão causada, e precisarão, talvez, de alguns dias para que estejam totalmente curadas.

Suponhamos que a primeira pessoa agredida logo perdoou seu agressor, e acabou esquecendo-se do fato algum tempo depois. Mas a segunda pessoa agredida, mesmo depois de 10, 20, 30 anos, ainda sofre o ressentimento, a mágoa, o ódio por aquele que a agrediu.

Isto posto, perguntamos:

O sofrimento causado pela ação dos outros é realmente CAUSADO pela ação dos outros? Ou a sua causa estaria na maciça identificação com o ego-orgulhoso?

655Dentre as pessoas que perdoam e esquecem, há aquelas que acabam se tornando amigas dos seus agressores, pois, percebendo-lhes o desequilíbrio (todo aquele que agride está em desequilíbrio), predispuseram-se a ajudá-lo, ganhando, assim, a sua afeição.

Dentre as pessoas que não perdoam, sempre que o “acaso” as fazem se deparar com aqueles que deram “causa” ao seu sofrimento, sentem-se imobilizadas, sem saber se mudam de rumo, se atacam, se brigam, se correm… e sofrem por isso.

Qual é a diferença entre estes dois tipos de pessoas?
O apego ao ego é a resposta.

Quando somos controlados pelas falsas necessidades do ego, sofremos com tudo aquilo que é contrário à nossa opinião. O simples fato de duas pessoas egóicas pensarem de maneira diferente uma da outra, é mais do que suficiente para que se queiram mal.

Então, exigimos que o outro mude e seja como pensamos que deveria ser. Se ele não acata as nossas exigências, transformamo-os num inimigo, pois acreditarmos que a sua conduta é o que deu causa ao nosso sofrimento. Não percebemos, entretanto, que a causa real do nosso sofrimento está no nosso orgulho ferido, na identificação maciça com o nosso ego-orgulhoso, cuja responsabilidade de erradicar é totalmente nossa.

657Vícios e virtudes. O contrário do vício do orgulho é a humildade; o contrário do vício da intolerância é a tolerância. Ora, o humilde sofre o orgulho ferido quando é agredido? Não. E por que? Porque o ego já não fala por ele e, consequentemente, ele não se ofende, não sofre. E o tolerante sofre a explosão da ira, como ocorre com o intolerante? Não.

Meus amigos, quando compreendemos que a causa do sofrimento não está fora, mas dentro de nós, crescemos mais rápido; em vez de culpar os outros – cujo o contato da convivência nos serve de instrumento para desenvolvermos virtudes – passamos a estudar estas virtudes que nos faltam, e cuja falta nos faz sofrer as influências perturbadoras do nosso próprio ego.

Somente é possível não julgar se o centro do “eu” egóico estiver “não-existente”; se o centro do “eu” inferior estiver sem o falso “desejo-necessidade” do poder, da posição, da autoridade, do querer estar certo, do querer ser superior. Quando, enfim, nos tornamos virtuosos, os problemas e sofrimentos agigantados pela frustração do orgulho chegam ao fim.

Estude, esforce-se, vença-se! E então, permita-se observar sem a necessidade de julgar ou justificar. Estar verdadeiramente consciente é o suficiente para estar satisfeito e em paz.

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