RAZÃO X NECESSIDADE

(Aconteceu com Chico Xavier)

O Chico era procurado por muitas pessoas que, independentemente de religião, iam ao seu encontro para obter informações de familiares e conhecidos que tinham morrido.

Então, uma mulher foi até Pedro Leopoldo procurá-lo. Chegando ao centro espírita onde o Chico atendia, ela soube que naquele horário ele deveria estar na fazenda Modelo, onde trabalhava.

Contrariada, ela entrou em seu caro e dirigiu até a fazenda. Lá, o chefe do Chico – para preservar o trabalho e o médium do assédio – mandou dizer que o Chico não estava, mas que à noite ela poderia encontrá-lo no centro espírita.

643Assim, a mulher, visivelmente desequilibrada, foi até a cidade e esperou. Quando, enfim, anoiteceu, ela foi ao centro espírita, entrou na fila e, chegando a sua vez de falar com o médium, deu logo dois tapões no rosto Chico, e disse:

– Escuta aqui, seu Chico Xavier, você tá pensando que eu sou sua palhaça, que fica andando daqui pra lá e de lá pra cá? Senta aí que você vai me ouvir! (depois de ter dado dois bofetões no rosto do Chico)…

Aquilo gerou uma confusão. Seguraram a mulher, e o Chico precisou interromper o atendimento para se reequilibrar. Ele foi lavar o rosto no banheiro, assutado, ferido no seu brio. Então, Emmanuel se fez visível para ele, e disse:

[Emmanuel] – O que você está fazendo aqui que não está atendendo as pessoas?

[Chico] – Não… é que eu estava lá atendendo, mas de repente apareceu uma mulher e me deu dois tapas no rosto… um de cada lado…

[Emmanuel] – Sim, eu vi.

[Chico] – Mas se o Sr. viu, por que me pergunta?

[Emmanuel] – Porque eu quero saber o que você está fazendo aqui que ainda não voltou.

[Chico] – Eu… eu não voltei porque não vou falar com essa mulher.

[Emmanuel] – Não. Você vai voltar lá e vai atender essa mulher.

[Chico] – Eu vou atender a mulher?

[Emmanuel] – Sim, meu filho. Você vai atender essa senhora.

[Chico] – Mas o Sr. não acha que eu estou com a razão? Ela me bateu! Eu não fiz nada para ela.

[Emmanuel] – Sim, meu filho. Você está com a razão. Mas ela está com a necessidade. Ela é uma criatura desequilibrada. Se ela sair daqui mais perturbada ainda – por não ter sido atendida – e resolver dar um tiro no próprio ouvido, como você vai lidar com isso? Portanto, enxugue o rosto, volte lá e fale com ela.

Então, o Chico, obediente, e com o seu ego morto, enxugou o rosto e voltou para atender a mulher que lhe tinha dado as bofetadas.

Ele tinha a razão, mas ela tinha a necessidade; ela era a infeliz que precisava de ajuda. Esse é o ponto, a porta estreita; receber o mal e não se tornar igual. Ver naquele que agride um irmão desequilibrado que precisa de ajuda.

Em vez de humildade, temos orgulho, em vez de tolerância, temos intolerância, em vez de perdão, temos ressentimento. “Suamos” para conseguir tantas coisas inúteis, mas não parecemos nos incomodar muito em vencer os vícios derivativos do orgulho e do egoísmo que nos fazem sofrer.

Tantos modelos de virtuosidade: Chico, Gandhi, Madre Tereza, Jesus… e tão poucos de nós interessados em estudá-los para assimilar as virtudes que, pela sua falta, nos mantém imantados a um mundo de expiação, condenados a reencarnar em corpos que defecam, que degeneram, que precisam sofrer doenças e enfrentar a “perda” de entes queridos…

Pensemos nisso.

Mais sobre o assunto, e muito mais, na palestra de André Ruiz, links aqui:

Combater o “EGO” para diminuir as aflições – Parte III
Audio: http://www.mensajefraternal.org.br/audios_palsbbm/sbbm_011112.mp3

Vídeo: http://www.mensajefraternal.org.br/videos_palsbbm/sbbm_011112.wmv

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