O PREÇO DO JULGAMENTO É O SOFRIMENTO

628Por mais que tenhamos relativa influência ou autoridade sobre algumas pessoas, jamais teremos o controle sobre todas as pessoas. Somos, portanto, vulneráveis à ação alheia, e, frequentemente, sofremos por causa da ação dos outros, correto? Errado!

Você já pensou na idéia de que o sofrimento aparentemente causado pelos outros possa ser resultado não da ação, mas do julgamento que fazemos da ação dos outros? Difícil compreender? Vamos lá!

Julgar é, num contexto qualquer, estar convicto sobre certo e errado. A sociedade, a cultura, a nossa educação e o senso comum  nos condiciona a pensar de maneira a atribuir valores de certo e errado para tudo. Mas, por um momento, tentemos nos abster destes pré-conceitos e pensemos: “Quem seria suficientemente louco para se crer possuidor da verdade?” Sócrates, pai da filosofia, considerado o homem mais sábio da Grécia antiga, disse:

“Enquanto tivermos a alma aprisionada ao corpo, jamais possuiremos o objeto de nossos desejos: a verdade. Devemos, portanto, amar buscar a verdade, mas nunca ter a presunção de defendê-la.”

623Ora, se assumimos por realidade existencial a pluralidade das existências corpóreas, assumamos, portanto, que tudo o que temos são opiniões, pois o nosso campo de análise é apenas uma fração do todo existencial. Quando compreendemos isso, tudo muda de figura; então, o mal injusto que sofremos, talvez seja uma parcela em quitação de débitos anteriores.

Estamos julgando o tempo todo porque nos melindramos, nos aborrecemos, nos vitimizamos, e o sentimento perturbado, seja pela ofensa, pela mágoa, pelo ressentimento, subverte o raciocínio.

É por isso que a capacidade de não julgar exige o desenvolvimento de virtudes, porque sem virtudes, os sentimentos baixos se agigantam e corrompem a razão; é assim que nos tornamos reativos, vingativos, convictos mesmo de que estamos certos e que o outro – aquele que nos feriu o orgulho – está errado, e precisa se corrigir (claro, segundo a “certeza” do nosso ponto de vista).

629Enquanto não percebermos que os erros alheios, bem como os conflitos de opinião em todas as áreas da convivência, engendram oportunidades para desenvolvermos virtudes – a exemplo – humildade e perdão, permaneceremos no roll das massas que sofrem exatamente o contrário destas virtudes, a saber, orgulho e desejo de vingar-se. Por não desenvolverem virtudes, julgam; e porque julgam, sofrem.

Queridos irmãos, é impossível pensar ou agir, pautado na razão, sem tranquilidade emocional. Portanto, em situações de conflito, antes de tudo, busquemos nos libertar das perturbações do sentimento, como mágoa e ressentimento; do contrário, estaremos fadados ao erro do julgamento, e, consequentemente, do sofrimento.

Mudemos a maneira de ver o mundo, e mudaremos o mundo.

Muita paz.

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