REENCARNAÇÃO PROGRAMADA II

Para uma reflexão mais ampla, leia também os textos “REENCARNAÇÃO PROGRAMADA I” e “REENCARNAÇÃO PROGRAMADA III“.

Eu, André Luiz, cidadão da colônia espiritual “Nosso Lar”, encontrava-me num instituto de serviços dedicados à programação de reencarnações futuras; lá os espíritos definem os meios em que vivenciarão novas oportunidades de prova, bem como as características do modelo psico-bio-físico, ou seja, o corpo físico que lhes servirá de moradia porquanto estadiarem na Terra.

Convidado por Manassés, irmão dos serviços informativos, penetrei numa das dependências consagradas aos serviços de desenho. Pequenas telas, demonstrando peças do organismo humano, estavam ordenadamente em todos os recantos. Tinha a impressão fiel de que me encontrava num grande centro de anatomistas, cercados de auxiliares competentes e operosos. Espalhavam-se desenhos de membros, tecidos, glândulas, fibras, órgãos de todos os feitios e para todos os gostos.

– Como sabe – observou Manassés, cuidadoso –, no serviço de recapitulação ou de tarefas especializadas na superfície do Globo, a reencarnação nunca pode ser vulgar. Para isso, trabalham aqui centenas de técnicos em questões de Embriologia e Biologia em geral, no sentido de orientar as experiências individuais do futuro.

Como era complexa a oportunidade de renascer! Via-me diante de inúmeros projetos para futuras habitações carnais. O corpo humano não deixa de ser a mais importante moradia para nós outros, quando compelidos à permanência na Crosta. Não podemos esquecer que o próprio Divino Mestre classificava-o como templo do Senhor.

missionarios da luzDispúnhamo-nos a seguir adiante, quando uma irmã, de porte muito respeitável, se aproximou saudando Manassés afetuosamente. Ele respondeu com gentileza e apresentou-ma.

– É nossa irmã Anacleta. Trata-se de uma das nossas trabalhadoras mais corajosas – acentuou o funcionário do trabalho de informações. Voltará à Esfera do Globo, em breves dias, em tarefa de profunda abnegação por quatro entidades que, há mais de quarenta anos, se debatem em regiões abismais das zonas inferiores.

– Não vejo nisso abnegação alguma – atalhou à senhora, sorrindo –, cumprirei tão somente um dever. E fixando-me, desassombrada e serena, asseverou:

– As mães que não completaram a obra de amor que o Pai lhes confia junto dos filhos amados, devem ser bastante fortes para recomeçarem os serviços imperfeitos. Esse o meu caso. Não se deve mencionar sacrifício onde existe apenas obrigação.

Nesse ponto da ligeira palestra, Manassés indagou:

– Já recebeu todos os projetos?

– Sim – respondeu ela –, não somente os que se referem aos meus pobres filhos, mas também a planta relativa à minha própria forma futura.

– Está satisfeita?

– Muitíssimo! – redarguiu a dama.

Em seguida, despediu-se, calma e afável. Manassés compreendeu-me a curiosidade e explicou:

– Anacleta é um exemplo vivo de ternura e devotamento, mas voltará às lutas do corpo a fim de operar determinadas retificações no coração materno. Por imprevidência dela, noutro tempo, os quatro filhos, que o Senhor lhe confiara, caíram desastradamente. A pobrezinha albergava certas noções de carinho que não se compadecem com a realidade.

Embora devotadíssima, viciava o afeto de mãe com excessos de meiguice desarrazoada. E, como consequência indireta, quatro almas não encontraram recursos para a jornada de redenção. Três rapazes e uma jovem, cuja preparação intelectual exigira os mais árduos sacrifícios, caíram muito cedo em desregramentos de natureza física e moral, a pretexto de atenderem a obrigações
sociais.

Contudo, voltando ao campo espiritual, compreendeu o problema e dispôs-se a trabalhar afanosamente para conseguir, não só a reencarnação de si própria, senão também a dos filhos que deverão segui-la nas provas purificadoras da Crosta.

A experiência ser-lhe-á bem dura, porque dois dos rapazes deverão regressar na condição de paralíticos, um na qualidade de débil mental e, para auxiliá-la na viuvez precoce, terá tão-somente a filha, que, por si mesma, será também portadora de prementes necessidades de retificação.

(Trechos do cap. 12 do livro “Missionários da Luz”, de Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito André Luiz)
Arquivo PDF do livro, aqui.

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