A INSAPIÊNCIA MORAL NÃO RESISTE À OBSESSÃO SAGAZ

Estávamos eu (André Luiz, aprendiz da colônia “Nosso Lar”) e Silas (meu instrutor), em trabalho de auxílio nas zonas trevosas da crosta terrestre. Ouvíamos, naquele momento, um discurso da entidade obsessora que subjugava o encarnado que desejávamos resgatar daquele lamentável quadro de manipulação psíquica.

Ufanando-se de seus conhecimentos nos campos da hipnose, disse-nos o obsessor:

– Aprendemos nas escolas de vingadores(*) que todos possuímos, além dos desejos imediatistas comuns, em qualquer fase da vida, um “desejo-central” ou “tema básico” dos interesses mais íntimos. Por isso, além dos pensamentos vulgares que nos aprisionam a experiência rotineira, emitimos com mais frequência os pensamentos que nascem do “desejo-central” que nos caracteriza, pensamentos esses que passam a constituir o reflexo dominante de nossa personalidade.

Cópia_de_segurança_de_Ação e Reação 14x21_OK.cdrDesse modo, é fácil conhecer a natureza de qualquer pessoa, em qualquer plano, através das ocupações e posições em que prefira viver. Assim é que a crueldade é o reflexo do criminoso, a cobiça é o reflexo do usurário, a maledicência é o reflexo do caluniador, o escárnio é o reflexo do ironista e a irritação é o reflexo do desequilibrado, tanto quanto a elevação moral é o reflexo do santo… Conhecido o reflexo da criatura que nos propomos retificar ou punir é, assim, muito fácil superalimentá-la com excitações constantes, robustecendo-lhe os impulsos e os quadros já existentes na imaginação e criando outros que se lhes superponham, nutrindo-lhe, dessa forma, a fixação mental.

Com esse objetivo, basta alguma diligência para situar, no convívio da criatura, entidades outras que se lhe adaptem ao modo de sentir e de ser, quando não possamos por nós mesmos, à falta de tempo, criar as telas que desejemos, com vistas aos fins visados, por intermédio da determinação hipnótica. Através de semelhantes processos, criamos e mantemos facilmente o “delírio psíquico” ou a “obsessão”, que não passa de um estado anormal da mente, subjugada pelo excesso de suas próprias criações a pressionarem o campo sensorial, infinitamente acrescidas de influência direta ou indireta de outras mentes desencarnadas ou não, atraídas por seu próprio reflexo. E, sorrindo, o inteligente perseguidor disse, sarcástico:

– Cada um é tentado exteriormente pela tentação que alimenta em si próprio.

De mim mesmo, achava-me perplexo. Nunca ouvira um verdugo, aparentemente vulgar, com tanto conhecimento e consciência de seu papel. Figurava-se-me assistir a um curso rápido de sadismo mental, extravagante e frio.

E, passando das palavras para a ação, o obsessor colocou a destra sobre a fronte do obsediado, mantendo-se na profunda atenção do hipnotizador governando a presa. Vimos o pobre amigo,  desligado do corpo físico pelo estado de sono em que se encontrava, arregalar os olhos com a volúpia do faminto que contempla um prato saboroso, a distância, e exibir uma carantonha de maldade satisfeita, falando a sós:

– Agora! agora! as terras serão minhas! muito minhas! Ninguém concorrerá com meus preços! ninguém!…

Logo após, afastou-se, lépido, com a expressão indefinível de um louco. Acompanhamo-lo até à saída e, da extensa varanda, podíamos vê-lo, avançando, à pressa, desaparecendo, por fim, no grande maciço de arvoredo próximo, na direção de fazendola fronteiriça.

– Viram? – exclamou o obsessor, contente – transmiti-lhe ao campo mental um quadro fantástico, através do qual as terras do vizinho estariam em leilão, caindo-lhe, enfim, nas unhas. Bastou que eu mentalizasse uma tela no sentido da sua inclinação, ou seja, a ganância pela posse material, o poder pelo dinheiro, arquitetando em sua mente a imagem o sítio à venda, que ele a tomou por realidade indiscutível, porquanto, em se tratando de nosso reflexo fundamental, somos induzidos a crer naquilo que desejamos aconteça…

Tão logo termine o fluxo controlado de minha influenciação hipnótica, retomará o corpo carnal, lambendo os beiços, na certeza de haver sonhado com a falência da granja sobre a qual pretende um título de posse.

Silas, com manifesta intenção, ajuntou, sereno:

– Ah! sim!… Estamos diante de um processo de transmissão de imagens, até certo ponto análogo aos princípios dominantes na televisão, no reino da eletrônica, atualmente em voga no plano terrestre […]

(*) A entidade refere-se a organizações mantidas por Inteligências criminosas, homiziadas temporariamente nos planos inferiores.

Continua no texto: “MANIPULAÇÃO TELEVISIVA E OBSESSÃO ESPIRITUAL

(Trechos do cap. 8 do livro “Ação e Reação”, de Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito André Luiz)
Arquivo PDF do livro, aqui.

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