UM JOVEM VAMPIRIZADO PELOS DESVARIOS DO SEXO

Os encarnados, mesmo aqueles que já se interessam pela prática espiritista, muito raramente se dispõem, com sinceridade, ao aproveitamento real dos seus valores legítimos. É muito lenta e difícil a transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior. Nesse sentido, há sempre entre os homens um oceano de palavras e algumas gotas de ação.

Encerrada a conversação, referente aos problemas de intercâmbio com os habitantes da esfera carnal, o Instrutor Alexandre, que desempenha elevadas funções em nosso plano, dirigiu-me a palavra, gentilmente:

– Compreendo seu desejo. Se quiser, poderá acompanhar-me ao nosso núcleo, em momento oportuno.

– Sim – respondi, encantado –, a questão mediúnica é fascinante.

Dirigimo-nos, então, a uma reunião mediúnica de encarnados, e nos pusemos a observar algumas demonstrações de desenvolvimento mediúnico.

– Não tenho vindo com assiduidade às experiências – comentou um rapaz –, porque vivo desanimado… Há quanto tempo mantenho o lápis na mão, sem resultado algum?

– É pena! – respondia outro senhor – A dificuldade desencoraja, de fato.

– Parece-me que nada merecemos, no setor do estímulo, por parte dos benfeitores invisíveis! – acrescentava uma senhora de boa idade – há quantos meses procuro em vão desenvolver-me? Em certos momentos, sinto vibrações espirituais intensas, junto de mim, contudo não passo das manifestações iniciais.

Alguns – explicou Alexandre – pretendem a psicografia, outros tentam a mediunidade de incorporação. Infelizmente, porém, quase todos confundem poderes psíquicos com funções fisiológicas. Observemos:

Postara-se ao lado de um rapaz que esperava, de lápis em punho, mergulhado em fundo silêncio. Ofereceu-me Alexandre o seu vigoroso auxílio magnético e contemplei-o, com atenção. Os núcleos glandulares emitiam pálidas irradiações. A epífise principalmente semelhava-se à reduzida semente algo luminosa.

– Repare no aparelho genital – aconselhou-me o instrutor, gravemente.

missionarios da luzFiquei estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam as movimentações sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas, nas vesículas seminais, na próstata, nas massas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. Que significava aquele acervo de pequeninos seres escuros? Pareciam imantados uns aos outros, na mesma faina de destruição. Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?

Enunciando semelhante indagação íntima, explicou-me Alexandre, sem que eu lhe dirigisse a palavra falada:

– Não, André. Não temos sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bacteriologistas humanos. São bacilos psíquicos das torturas sexuais, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores.

O dicionário médico do mundo não os conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes larvas, simplesmente. Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contacto com entidades grosseiras, que se afinam com as predileções dele, entidades que o visitam com frequência, à maneira de imperceptíveis vampiros.

O pobrezinho ainda não pôde compreender que o corpo físico é apenas leve sombra do corpo perispiritual, não se capacitou de que a prudência, em matéria de sexo, é equilíbrio da vida e, recebendo as nossas advertências sobre a temperança, acredita ouvir remotas lições de aspecto dogmático, exclusivo, no exame da fé religiosa.

A pretexto de aceitar o império da razão pura, na esfera da lógica, admite que o sexo nada tem que ver com a espiritualidade, como se esta não fosse a existência em si. Esquece-se de que tudo é espírito, manifestação divina e energia eterna.

Entre abusos do sexo, inúmeros são os que, desde os anos mais tenros, nada mais fazem que desenvolver as tendências inferiores, cristalizando hábitos malignos. Seria, pois, de admirar tantas moléstias do corpo e degenerescências psíquicas?

A promiscuidade entre os encarnados indiferentes à Lei Divina e os desencarnados que a ela têm sido indiferentes é muito grande na crosta da Terra. Absolutamente sem preparo e tendo vivido muito mais de sensações animalizadas que de sentimentos e pensamentos puros, as criaturas humanas, além do túmulo, em muitíssimos casos prosseguem imantadas aos ambientes domésticos que lhes alimentavam o campo emocional.

Dolorosa ignorância prende-lhes os corações, repletos de particularismos, encarcerados no magnetismo terrestre, enganando a si próprios e fortificando suas antigas ilusões. Aos infelizes que caíram em semelhante condição de parasitismo, as larvas que você observou servem-lhes de alimento habitual.

– Deus meu! – exclamei sob forte espanto. Alexandre, porém, acrescentou: – Semelhantes larvas são portadoras de vigoroso magnetismo animal. Observando talvez que muitas e torturantes indagações se me entrechocavam no cérebro, o instrutor considerou:

– Naturalmente que a fauna microbiana, em análise, não será servida em pratos; bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância, ainda encarnados, qual erva daninha aos galhos das árvores, e sugar-lhes a substância vital.

Não conseguia dissimular o assombro que me dominava.

(Trechos do cap. 3 do livro “Missionários da Luz”, de Francisco Cândido Xavier – pelo Espírito André Luiz)

Arquivo PDF do livro, aqui.

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