A UTOPIA DA FELICIDADE PLENA RESTRITA À GROSSERIA DA MATÉRIA

Há forte preocupação dos homens em resolver seus problemas por intermédio de um mundo pacífico e de profundo amor entre os seres que nele vivem. Mas sempre buscam esse caminho por meio de mundos materiais. Imaginam campos férteis e floridos, com dias e noites tranquilas, animais amistosos, uma vida isenta de doenças, e alimentação vegetariana, em verdadeira utopia aplicada, onde a tecnologia está a serviço do homem e de seu bem estar, de modo incondicional. Entretanto, tudo isso ocorrendo sobre a matéria.

O que adianta louvar a espiritualidade e seus conceitos nobres, se o trabalho mental da maioria dos homens volta-se para criar raízes definitivas na matéria? Desejam a espiritualidade a seu favor, como um pastor doastrointruso rebanho sempre atento, e esquecem que cada um do rebanho também precisa evoluir na espiritualidade.

A matéria é apenas o momento de buscas de referências para que a espiritualidade possa ser entendida. Se ainda não compreenderam isso, é porque continuam apegados à matéria e, por isso mesmo, ainda sujeitos às provas e expiações. Os homens criam, pelo seu livre-arbítrio, a ilusão da felicidade plena na matéria, e se concentram nela, esquecendo da realidade espiritual, a única que comporta os patamares da felicidade plena, factível somente através do aperfeiçoamento moral.

Sonhar não é errado, mas os homens louvam a espiritualidade sem desejarem sair da esfera dos prazeres materiais. É bastante contraditório; querem que a espiritualidade os proteja, mas também anseiam continuar com seus vícios, vontades desprezíveis e desequilíbrios, sempre vivendo na matéria e para a matéria.

Se a espiritualidade concordasse em proteger esse estado de coisas, estaria jogando o mundo no caos. A maior proteção que se pode dar ao homem é a educação sadia que o torna apto a receber as emanações eletromagnéticas superiores, levando-o a meditar, a identificar e a transpor as próprias deficiências a fim de encontrar o caminho da evolução. Não esperem que a espiritualidade construa mundos materiais para os homens e os proteja, do alto, para que desenvolvam suas imperfeições de modo contínuo.

Vejam o exemplo das encarnações: se não fossem elas, os homens nunca corrigiriam seus erros. Entretanto, voltam-se contra as provas e expiações que quitariam os seus débitos pretéritos, acusando Deus de insensível e insensato por proporcionar tais sofrimentos. Poucos percebem que as provações são ecos do que os próprios homens fazem; são os resultados de seus próprios atos. E quanto menos entenderem, mais precisarão reencarnar e passar por novos sofrimentos.

A expressão máxima da verdade é que os homens falham, e essas falhas lhes retornam pela lei das causas e consequências. Depois, se revoltam com os resgates daquilo que eles mesmos fizeram, jogando a culpa em outros se não em Deus. Enquanto não entendermos nossas responsabilidades com a evolução, continuaremos em mundos materiais, sofrendo provações causadas por nós mesmos, enfrentando cataclismos e sonhando com ilusões que se perdem na eternidade.

(Ramatis – Trechos do livro “O Astro Intruso”, cap. 4). PDF do livro, aqui.

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