PONTOS FRÁGEIS DA FILOSOFIA AGOSTINIANA… SERÁ??

Sinto-me muito apequenado em matéria de conhecimento para discorrer com segurança sobre um assunto dessa magnificência… “pontos frágeis da filosofia agostiniana”, uau…! Foi um tópico de fórum de filosofia que encontrei. Para mim, é quase uma petulância, como se pedissem a crianças de cinco anos para opinarem sobre a teoria da relatividade. Mas, vamos lá 🙂

A própria baliza metafísica que sustenta a filosofia de Agostinho é o ponto de difícil compreensão, e por isso mesmo, frágil, porque nos foge aos sentidos. Seria algo como ter de explicar a um cego de nascença o que são as cores, o que é a luz. Ele combinaria, em vão, os seus outros quatro sentidos, e ainda assim, estaria incapaz de construir uma síntese aproximada do que são a luz e as cores.

Talvez, por isso, desde o surgimento da filosofia, haja esse impasse entre os filósofos idealistas e materialistas. Se o mundo permanente é o mundo imaterial, e se estamos presos às paredes do corpo físico de um mundo material transitório, então, a única forma de tocar a metafísica da vida é pela reflexão, pelo pensamento, pelo exercício da razão.

Segundo Agostinho, Deus não está submetido ao tempo, porque Deus criou o próprio tempo que conhecemos como sendo uma propriedade da matéria, que passa pelos estágios de transformação e desagregação, nesta sequência de instantes que denominamos por “tempo”. Deus é imutável e atemporal. Portanto, para Agostinho, a dúvida sobre o que Deus teria feito antes de criar a matéria não se aplica, porque não havia o antes. Mas, como é impossível ao cego compreender a luz, o mesmo se dá para nós na compreensão daquilo que foge às leis de tempo-espaço, às quais nossa tacanha estrutura física está submetida.

164Imaginemos, por um instante, que viajamos para outros mundos e encontramos seres cuja estrutura física lhes propicie sentidos que o nosso corpo mamífero desconhece. Imagine que eles compreendem, por exemplo, as propriedades das coisas infinitas, ou até a natureza íntima da inteligência suprema, que na Terra, de maneira geralmente dogmática, denominamos por “Deus”.

Agora volte e perceba como estabelecemos os limites da verdade por aquilo que delimita a nós próprios. Será que porque possuímos apenas cinco sentidos, não existam outros? Seria correto, então, afirmar que algo que não captamos, que não concebemos senão pelo pensamento, por isso não exista?

A NASA tem descoberto elementos químicos desconhecidos pela química, e constatado movimentos em corpos do espaço que, segundo as leis da física, não seriam possíveis. Mas os homens de ciência, muito frequentemente tomam por impossível aquilo que lhes escapa aos sentidos ou às suas capacidades intelectivas, alegando que “se não é possível comprovar empiricamente através do aparato tecnológico que a razão e os sentidos humanos desenvolveram, então não existe”.

Eis o paradoxo da Metafísica (além da física), que para nós, presos a um mundo físico, se faz incompreensível, exceto pelo esforço do pensamento imparcial e reflexivo.

O orgulho impede que os homens desçam do pedestal em que se encontram para assumirem o que não sabem. Como se esquecessem que o homem mais sábio da Grécia antiga, o pai da filosofia, Sócrates, foi considerado o mais sábio de seu tempo, porque era o único, segundo o Oráculo de Delfos, que detinha o conhecimento da própria ignorância.

Aquele que pensa que sabe, não aprende e nem se dá ao trabalho de ouvir um outro, pois afinal, ele “já sabe”. Mas aquele que luta diariamente contra o próprio orgulho, compreende que a postura da humildade é premissa para tanger a sabedoria.

Há quem diga encontrar fragilidades no pensamento de Agostinho. Mas vejo que as fragilidades do seu pensamento, são na verdade um reflexo da nossa tacanha capacidade moral e intelectiva, da nossa presunção individual e coletiva, dos preconceitos seculares do senso comum, da imaturidade psicológica das sociedades edonistas-consumistas que desconhecem as próprias fraquezas e paixões que as conduzem, e que, sem se conhecerem, julgam aquilo que não têm capacidade para compreender.

Entendo que a filosofia, mãe de todas as ciências, tanto mais é absorvida quanto mais encontra em cada um de nós o sustentáculo do seu desenvolvimento: o aperfeiçoamento moral. Quem de nós trabalha o aperfeiçoamento moral?

Na minha ignorância infinita, eu creio que estamos para Agostinho, assim como um cego de nascença está para a luz. Antes de tudo, preciso é que se cure a cegueira, a começar pelo orgulho.

Um forte abraço e muita paz 🙂

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