QUAL A SUA OPINIÃO ACERCA DA INDÚSTRIA CULTURAL?

Dos anos noventa até nossos dias, a riqueza material geral do globo cresceu mais de três vezes; entretanto, a miséria mundial se multiplicou sete vezes.

A indústria cultural, assim como a própria revolução industrial, fiscal e politicamente sempre tão bem auxiliadas pelo estado, compreendem um dos braços do engenhoso e secular esquema de subjugação de massas. A implantação do capitalismo e o direcionamento de foco do proletariado para o consumismo são a fórmula psicossocial do emburrecimento popular que mantém a concentração de capital sob o controle das elites.

103O homem que compõe as massas do sistema capitalista-egocentrista, por não conhecer as próprias paixões é, geralmente, escravizado por elas. A ideologia fabricada pelas elites, através do meio político, implementa e mantém o controle dos veículos de mídia, construindo, desse modo, os ideais das massas. Então, um homem que cresceu neste ambiente social, tem suas atitudes  menos dignas justificadas,  pois afinal, “todo o mundo faz”.

Em meados de 1945, no final da segunda grande guerra, tínhamos no Brasil a cultura de massas parcialmente instalada, por meio de investimentos estatais e privados, operados por empresas familiares. Imprensa, rádio e cinema foram as estrelas da indústria cultural dos anos 1930/1940, e com formatos e linguagens definidos, estes meios foram dirigidos para o entretenimento e construção de estereótipos de brasilidade e de nacionalismo, caracterizando, portanto, ideologias fabricadas para o consumismo e o egocentrismo. Pessoas ocupadas em competições de orgulho e hábitos viciosos consomem mais, estão sempre brigando entre si, e, portanto, sem tempo nem vontade para questionar as raízes do sistema.

O estado politizou a cultura pelo controle das suas formas e produções. Construindo as identidades ditas nacionais, o futebol e o carnaval, tão bem desenvolvidos no período da Ditadura Vargas, vieram atender às finalidades de mercado e ideológicas, atravessando as culturas brasileiras, da erudita à popular, e fixando-se como elemento fundamental da cultura de massas que temos hoje.

O futebol, por exemplo, excelente veículo de distração de massas balizado no ego competitivo, caracteriza muito bem, na atualidade, a tão conhecida política do pão e circo dos povos gregos. Não temos hospitais, nem escolas, nem professores decentemente remunerados, mas estamos orgulhosos pelos estádios modernos que exibimos ao mundo. O que pensar, então, destes “esportes” violentos estilo luta-livre, que demonstram como estamos identificados com a baixeza deste tipo de entretenimento? O homem que se compraz no próprio atraso, dificilmente consegue se auto-avaliar de forma imparcial, porque a sua fraqueza lhe dá prazer. As paixões nos impedem de perceber que nem sempre aquilo que gostamos é o que traz boas consequências.

O carnaval, que é uma fábrica de incentivo aos excessos de todos os gêneros, é “vendido” pela mídia como um lazer saudável. Os métodos contraceptivos são muito bons para o controle populacional e impedem que um casal tenha uma gravidez indesejada; mas será que esse é o ponto? O que pensar dos usos que têm por efeito deter a reprodução em vistas de satisfazer a sensualidade? Talvez, o problema esteja nos excessos que a indústria cultural, através da mídia, e viabilizados pelas nossas fraquezas, engendram no comportamento coletivo. Até que ponto somos manipulados, enquanto achamos que somos os senhores, e não meros escravos das inclinações que sinalizam o nosso atraso moral?

Quem nos garante que até os partidos políticos das nações não sejam, talvez, “bandeiras” de um partido global único, que antecede a Revolução Industrial, e que nos conduz feito marionetes, dando-nos apenas a ilusão de liberdade de escolha? Quem garante que todas as nossas escolhas não tenham sido fabricadas por esse sistema  oculto por trás dos sistemas, pela cultura de massas, pela inserção da necessidade de consumo, pela fustigação do ego-competitivo, que nos faz competir até com nosssos próprios filhos?

Pensemos nisso.

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