COMO MEDIR SUA BONDADE

Um dos maiores problemas dos mundos expiatórios é o orgulho. O orgulho produz uma espécie de cegueira no homem, tornando-o alheio aos seus próprios defeitos de conduta. É a crença falaciosa de possuir a bondade que nos faz rejeitar, com desdém, qualquer idéia que inspire a necessidade de aperfeiçoamento moral. Então, por não enxergarmos as imperfeições que o orgulho esconde, julgamo-nos bons, e sem que percebamos, agimos mau.

“ – Para quê melhorar-me se já sou bom? Para que aprender o que já sei?”

Será?!… Vejamos se estamos sendo enganados pelo orgulho:

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Sabemos que atacar o mal com o mal é como querer apagar um incêndio com um balde de lava; o mal contra o mau só aumenta a maldade. É entregando o bem para quem lhe faz mal que você o confunde, o enfraquece, e então, o transforma; o mal não sabe o que fazer frente ao bem. Portanto, a única arma capaz de vencer o mal é o bem.

Mas como entregar o bem se, ao recebermos o mal, nos ofendemos e acabamos produzindo o mal, também, seja por atitudes ou pensamentos?!

Se é apenas o bem que vence o mal, isto significa que a maioria de nós não possui a bondade, porque se a possuíssemos, as pessoas que nos maltratam, receberiam de volta algo de bom que lhes enfraquecesse o próprio mau, mas não é isso o que acontece. Geralmente, contaminados com o mal dos outros, aumentamos o mal em nós mesmos e o devolvemos através do revide.

Esta é a prova da bondade: receber o mal e manter-se bom; se o mal nos torna maus é porque não somos bons.

Já imaginou Jesus ofendido? E aqui, você poderia dizer: ” – Ah, eu não sou Jesus!” Mas se Jesus fosse uma utopia para as nossas capacidades, ele não seria o modelo de perfeição moral que devemos buscar. O Cristo morreu orando pelo bem dos que o estavam matando; mas por muito menos, nós ainda nos ofendemos com o mal que recebemos e desejamos o mal, igualmente.

Meus amigos, não nos enganemos quanto a nossa situação existencial. Geralmente, quando o homem se acha bom, é porque, de verdade, ele não é. O filósofo Immanuel Kant elucida muito bem este ponto com a seguinte frase:

“Há dois tipos de homens. Os pecadores que se julgam justos e os justos que se julgam pecadores.”

Acredita no bem? É fiel ao bem? Então viva-o acima de qualquer conveniência. Acima mesmo de alguém não ter sido bom com você; porque se você deixa de ser bom quando alguém não é bom com você, de verdade, você não é bom.

Somente a busca de progresso moral nos permite conhecer a nós mesmos. É combatendo o orgulho e as imperfeições que dele derivam, que conseguiremos, pelo exercício da razão, desenvolver a bondade por esforço, para depois de muito empenho, conquistarmos a bondade por vontade.

Para alcançar a postura livre de mágoa, de rancor e de ofensa é preciso criar o hábito de esmagar o orgulho próprio. É preciso “engolir sapo” sem se ofender, é preciso desejar o bem a quem maltrata, é imperioso perceber que a luta é totalmente interior, e não exterior.

Mas enquanto estivermos nos ofendendo e apontando o dedo para os erros dos outros, não poderemos dizer que somos bons.

Pensemos nisso.

Mais sobre o assunto, e muito mais, na palestra de André Luiz Ruiz, acessível aqui.

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