ESCÂNDALO

O escândalo não está na ação em si mesma, mas no reflexo que ela pode ter. A palavra escândalo implica sempre a idéia de uma certa explosão de comentários. Muitas pessoas se contentam em evitar o escândalo, porque com isso sofreria seu orgulho e sua consideração diminuiria entre os homens; contanto que suas torpezas sejam ignoradas, isso lhes basta, e sua consciência está tranquila.

São elas, segundo as palavras de Jesus: “sepulcros brancos por fora, mas cheios de podridão por dentro; vasos limpos por fora, sujos por dentro”.

42A acepção da palavra escândalo, tão frequentemente empregada, é sempre mais geral e, por isso, não se lhe compreende a acepção em certos casos. Escândalo não é somente o que ofende a consciência de outrem, é tudo o que resulta dos vícios e das imperfeições dos homens, toda reação má de indivíduo para indivíduo, com ou sem repercussão. O escândalo, neste caso, é o resultado efetivo do mal moral.

É necessário que o escândalo venha, porque estando os homens em expiação sobre a Terra, punem a si mesmos pelo contato com seus vícios, dos quais são as primeiras vítimas, acabando por compreender seus inconvenientes.

Quando estiverem cansados de sofrer no mal, procurarão o remédio no bem. A reação desses vícios serve de castigo para uns e de provas para outros; é assim que Deus faz emergir o bem do mal.

Suponhamos a Humanidade transformada em homens de bem, ninguém procuraria fazer o mal ao próximo e todos seriam felizes, porque seriam bons. Tal é o estado dos mundos avançados, de onde o mal foi excluído; tal será o da Terra, quando tiver progredido suficientemente.

Mas enquanto que certos mundos avançam, outros se formam, povoados de Espíritos primitivos, e que servem por outro lado de habitação, de exílio e de lugar expiatório para os Espíritos imperfeitos, rebeldes, obstinados no mal e que são rejeitados nos mundos que se tornaram felizes.

Aquele que inconscientemente serviu de instrumento para a justiça divina, cujos maus instintos foram utilizados deve ser punido. É assim que, por exemplo, um filho ingrato é uma punição ou uma prova para o pai que o suporta, porque esse pai talvez tenha sido um mau filho que fez sofrer a seu pai, e que sofre a pena de talião; mas o filho disso não é mais desculpável e deverá ser castigado, a seu turno, em seus próprios filhos ou de uma outra maneira.

Valeria mais para um homem ter tido a mão cortada, do que essa mão lhe ter servido de instrumento para uma ação má; estar privado da vista, do que se seus olhos lhe tivessem dado maus pensamentos. Jesus nada disse de absurdo para aquele que apreende o sentido alegórico e profundo de suas palavras.

(O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VIII)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s