A VERDADEIRA INFELICIDADE

A verdadeira infelicidade não é o que os homens geralmente supõem. Os homens julgam encontrar a infelicidade na miséria, no credor ameaçador, no berço vazio do anjo que sorria, nas lágrimas, na nudez do orgulhoso que gostaria de se cobrir de púrpura e que esconde-se nos farrapos da vaidade, na angústia da traição, na privação das satisfações; a tudo isso se chama de infelicidade na linguagem humana.

Sim, é a infelicidade para aqueles que não veem senão o presente; mas a verdadeira infelicidade está nas conseqüências de uma coisa, mais do que na própria coisa. Dizei-me se o acontecimento mais feliz para o momento, mas que tem conseqüências funestas, não é em realidade mais infeliz que aquele que causa primeiro uma viva contrariedade, e acaba por resultar no bem? Dizei-me se a tempestade que quebra vossas árvores, mas saneia o ar dissipando os miasmas insalubres que causariam a morte, não é antes uma felicidade do que uma infelicidade.

Para julgar uma coisa é preciso ver-lhe as conseqüências; é assim que, para apreciar o que é realmente feliz ou infeliz para o homem, é preciso se transportar além desta vida, porque é lá que as conseqüências se fazem sentir; ora, tudo o que se chama infelicidade segundo sua curta visão, cessa com a vida e encontra sua compensação na vida futura

27“Aquilo que vos parece um mal não é sempre um mal; frequentemente, um bem deve disso surgir, que será maior que o mal, e é isso que não compreendeis, porque não pensais senão no momento presente ou em vossa pessoa.” (L.E.- perg. 532)

Vejamos, então, a desgraça sob um novo prisma, sob a forma bela e florida que, geralmente, desejamos com todas as forças das nossas almas equivocadas.

A infelicidade é a alegria, é o prazer, é a fama, é a agitação vã, é a louca satisfação da vaidade, que fazem calar a consciência, que comprimem a ação do pensamento, que atordoam o homem sobre seu futuro; a infelicidade é o ópio do esquecimento que reclamamos ardentemente.

Tremei, vós que rides, porque tendes vosso corpo satisfeito. Não se esquiva do destino; as provas não cumpridas que deram lugar à excitações mundanas são credoras mais implacáveis que todo o prazer fugidio e espreitam vosso repouso ilusório, para mergulhar-vos, tão logo cesse esta curta passagem pela Terra, na agonia da verdadeira infelicidade, daquela que surpreende a alma enfraquecida pela indiferença e pelo egoísmo.

Quanto a vós outros, que deixais vossos aposentos perfumados para ir à mansarda infecta levar a consolação, que manchais vossas mãos no cuidado de chagas, que vos privais do sono para velar à cabeceira de um doente, vosso irmão em Deus, e que usais vossa saúde na prática de boas obras, eis vosso verdadeiro cilício de bênção e de paz; porque as alegrias do mundo não secaram vosso coração e não adormecestes no seio das volúpias destruidoras da fortuna, mas vos fizestes anjos consoladores dos pobres deserdados.

(Síntese de O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V – Causas Atuais das Aflições)

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