O PONTO DE VISTA DA FÉ RACIOCINADA

A idéia clara e precisa que o estudo das instruções dos espíritos possibilita, constrói uma fé inabalável no futuro, e essa fé tem consequências imensas sobre a moralização dos homens, pois muda completamente o ponto de vista sob o qual eles examinam a vida terrestre.

Para aquele que se coloca, pelo pensamento, na vida espiritual, que é infinita, a vida corporal não é mais que uma passagem bastante curta. Vicissitudes e tribulações da vida não são mais que incidentes que recebe com paciência, porque sabe que são de curta duração, e devem ser seguidos de um estado mais feliz; a morte nada mais tem de apavorante, não é mais a porta do nada, mas a da libertação para uma morada de felicidade e paz.

Sabendo que está num lugar temporário, e não definitivo, o homem recebe as inquietações da vida com mais indiferença, e disso resulta, para ele, uma calma de espírito que lhe atenua a amargura.

25Mas, pela simples dúvida sobre a vida futura, o homem concentra todos os seus pensamentos na vida terrestre; incerto do futuro, dá tudo ao presente. Não entrevendo bens mais preciosos que os da Terra, ele se porta como a criança que não vê nada além dos seus brinquedos, e tudo faz para os obter. A perda do menor dos seus bens é uma tristeza pungente, uma decepção, uma esperança frustrada, uma injustiça, um misto de orgulho e vaidade feridos que o vitimiza e atormenta.

Como aquele que se vê no interior de uma cidade, onde tudo lhe parece grande, para o homem que se coloca no centro de tudo, tudo se agiganta ao seu redor, inclusive, suas preocupações. Mas, que se transporte para sobre uma montanha e, homens e coisas lhe parecerão bem pequenos.

A Humanidade, como as estrelas do firmamento, se perde na imensidão; grandes e pequenos estão confundidos como as formigas sobre um torrão de terra; proletários e potentados são do mesmo tamanho. É de se lamentar esses homens efêmeros que se dão tanta inquietação para conquistar um lugar que os eleve tão pouco e que devem manter por tão pouco tempo. Eis que a importância atribuída aos bens terrestres está sempre na razão inversa da fé na vida futura.

(Síntese de O Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II)

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