QUE TIPO DE FELICIDADE ESPERAMOS NA TERRA?

Acreditar que Deus nos criou para vermos, ao longo de cada ano, os cabelos caírem, os músculos caírem, os dentes caírem, o ânimo cair, e termos de nos contentar com isto, deve ser algo muito pobre para quem entende que é fruto do Criador do universo.

O dinheiro de hoje, talvez amanhã nos falte. O corpo belo de agora será vencido pelo tempo. O namoro, a paixão e as épocas de baladas findarão. Esposa e marido amanhã não serão tão bonitos; um dia, um deles terá partido. Face à perda dos que amamos e da fragilização acentuada da nossa própria saúde ao longo do anos, a voluptuosidade por status e poder – que outrora valorávamos – parece perder brilho e valor.

Quando buscamos a felicidade nas coisas transitórias, que mudam o tempo todo, o melhor que conseguimos são porções de felicidade bastante transitórias, fugazes mesmo, numa competição frustrante contra o invencível tempo.

Mesmo acreditando na espiritualidade, só vemos o mundo de matéria e, por fraqueza da nossa fé na vida eterna, mantemo-nos presos ao conceito materialista de que o projeto divino para nós é a construção da felicidade definitiva aqui, na superfície deste planeta, em corpos que defecam, que degeneram, que nos submetem à dor da “perda” dos que amamos.

Será que Deus não tem nada melhor para nós do que nos criar para sermos felizes num amontoado de tecidos que deteriora um pouco mais a cada dia?! Em corpos que cheiram mal se não forem higienizados diariamente, e que podem morrer por causa de uma gripe?!

Puxa vida! Etenos, infinitos, vivemos ainda como matéria perecível, e isso é muito triste. O projeto Divino nos levará a lugares muito melhores do que a Terra, mas estamos tão desconectados, tão arraigados à falácias de ego, que vivemos numa ignorância completa de nós mesmos, feito robôs competindo com outros robôs, e não espíritos que só estão presos em corpos, assim, grosseiros, num mundo cujo progresso se dá pelo sofrimento, para desenvolvermos as virtudes que nos faltam. Aprendamos a cooperar, a dividir a perdoar, a amar aqueles que erram, pois se erram, precisam de ajuda, não de revide nem condenação.

Mas o que fazemos quando alguém nos trata mal?! Geralmente, logo esquecemos da lei de causa e efeito, ou nem nos damos ao trabalho de estudá-la, e, com o raciocínio perturbado pelo orgulho-ferido, revidamos de forma igual ou pior. Fingimos ser bonzinhos até alguém nos alfinetar o orgulho, e então, rosnamos, literalmente. Nos intitulamos racionais, mas nos mostramos extremamente melindrosos, infantilóides no campo da emoção.

5APara se tornar tolerante é preciso, antes, enfrentar muitas situações que fustiguem o seu contrário. Para conquistar o perdão não há outro caminho senão passar por muitas situações que causem ofensa, mágoa, dor; somente o esforço pessoal faz, do hábito, o engendramento da postura virtuosa em nosso íntimo; esse é o único caminho para adquirirmos as virtudes que não possuímos. É preciso receber o mal muitas vezes, e, ainda assim não se tornar mal.

Precisamos ser roubados, muitas vezes no dinheiro, no afeto, no direito mesmo, para descobrirmos quem somos de verdade. Se estas coisas não acontecem conosco, não sabemos se somos bons, porque a bondade só se prova verdadeira quando sofre a injustiça e, ainda assim, mantém-se bondade.

É preciso, ao receber o mal, não fazer o mal, ao ser injustiçado, não injustiçar, ao receber a calúnia, respeitar o caluniador e orar por ele, desejando-lhe o bem sincero. Somente assim, poderemos sair desse ciclo incessante de reencarnações em mundos de expiação rumo à destinação luminosa que nos espera.

Jesus é o divino modelo que morreu orando pelo bem dos que o mataram. Estudemos as virtudes que não temos, e perceberemos o quanto precisamos melhorar, pois, se fôssemos bons, não estaríamos encarnados num mundo destinado ao progresso dos que ainda são maus.

Temos o poder de escolher entre o revide e o perdão, a competição e a cooperação, o interesse e o desapego; reclamar do sofrimento ou enfrentá-lo resignadamente.

“Fui traído e esqueci;
Fui caluniado e não falei mal de ninguém;
Passei fome e trabalhei pelos que já não podiam;
Recebi o mal e fiz de tudo pelo bem.”

“Aquele que quiser salvar a sua vida a perderá. Mas, se perder a vida por amor a mim e aos ensinamentos do evangelho, a salvará.”

Sábio não é aquele que se entrega às ilusões de uma vida de algumas décadas; sábio é aquele que se aprimora, que auxilia – dia após dia – os seus irmãos de convivência, na ânsia regressar à vida eterna melhor do que estava quando veio à Terra.

Pense nisso.
Muita paz.

Mais sobre o tema (e muito mais), na palestra de André Luiz Ruiz, acessível aqui.

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