CAUSA, EFEITO E MORALIDADE

“A bondade só será BONDADE quando for injustiçada e, ainda assim, não escolher se tornar má.”

Na relação humana, basicamente, recebemos algo de fora do nosso mundo íntimo, processamos e devolvemos. O que recebemos altera o que sentimos e o que devolvemos altera o que o outro sente (Reflita sobre isso…).

Nesta tríade da relação humana, recebemos, sentimos o que recebemos, pensamos e agimos.

Há pessoas que são como uma pedra. Da forma que batemos na pedra, imediatamente, nos ferimos. Ela não pensa e a resposta é instantânea.

Há pessoas em menor número, entretanto, que são como flores. Quanto mais batemos, mais perfume exalam. Mahatma Gandhi era assim. Nas muitas vezes em que foi agredido injustamente, devolveu sempre sorrisos e pedidos de desculpas.

Remontando ao primitivismo humano, encontramos um homem mais trivial, que se limitava em buscar alimento, apenas. Ele se apoiava no instinto de conservação e o que penetrava o seu mundo íntimo era suficiente para conduzir a sua ação fora dele. Uma analogia ao comportamento humano desta época pode ser feita na observação dos nossos animais de estimação. Tomemos por base um cãozinho. Dê comida a ele e, logo em seguida, tente retirar o alimento. Ele rosna. Apesar de ter sido você quem lhe serviu a comida, ele rosna, porque o seu instinto de conservação o alarma da ameaça em perder o alimento, que é prioritário à sua sobrevivência. Para o animal racional, o que deve nortear sua conduta é a faculdade de pensar, ou pelo menos, deveria ser.

Vejamos.

Somos um primata que está habituado a agir pelo que sente há milênios que se perdem no tempo frente à faculdade de pensar, que, contra o sentir, estamos utilizando há muito pouco tempo neste curso do progresso humano. Talvez, isto justifique porque usamos o raciocínio de forma ainda infantil, geralmente para exceder nas sensações que nos dão prazer.

Exageramos no que comemos porque é gostoso. Pensamos mais em sexo do que um padrão saudável porque é gostoso. Criamos padrões exacerbados para muitas coisas e nos apoiarmos neles. Somos viciados em sensações e utilizamos o raciocínio para exceder nestas sensações.

Então, ficamos doentes pelos excessos que cometemos… Lei de Causa e Efeito.

Bom, imaginemos então, que acabamos de levar um tapa sem que tenhamos feito nada para isso. Pensemos neste que nos agrediu sob o prisma da lei de causa e efeito. Se não existe efeito sem causa, não deveríamos ter recebido o tapa, afinal, não batemos em ninguém, muito menos, nesse alguém que nos estapeou.

Para quem acredita em uma inteligência suprema que cria todas as coisas, esta máxima é mais dolorosa que o orgulho ferido do tapa:

“Deus é a justiça absoluta. Portanto, não há efeito sem causa. Logo, não há injustiças.”

Mas, eu não bati em ninguém para levar um tapa! Então, isso não é justo!

Analisemos.

Por que uma criança nasce deficiente e outra sadia? Por que há pessoas que nascem em regiões de miséria extrema e outras com inúmeras vantagens materiais e culturais? Por que há pessoas mais inteligentes, mais bonitas, mais sortudas que outras? Por que há homens de caráter tão díspar numa mesma família e com a mesma educação? Eu já conheci gêmeos assim.

A visão materialista, rapidamente proporia explicações para estas distinções através do cruzamento genético, uma vez que para o materialista, nós somos apenas este conjunto de tecidos que compreende o corpo humano. Outros, poderiam dizer que todas estas abordagens são mistério de Deus. São pontos de vista que respeitamos.

Mensagens de Luz (67)

Vamos, então, tentar buscar explicações um pouco mais além…

Rapidamente, encontramos respostas bastante lógicas para tudo isto, como por exemplo, para uma pessoa que, “injustamente”, tenha morrido carbonizada numa boate, ter sido noutra existência, um alguém que ateara fogo num vilarejo da idade média, resultando na morte de inúmeras pessoas.

Uau… sim, é um assunto extremamente abrangente e polêmico, porque contrasta com muitas das nossas crenças e convicções, o que não é o foco principal deste pequeno texto. Por isso, voltemos ao tapa, ou melhor, ao nosso mundo.

Estamos num ambiente coletivo que possibilita-nos topar, a qualquer momento, com uma bala perdida ou um carro na contramão. Alguém pode tossir próximo a você e… pronto. Uma bactéria ou o vírus HN-XYZ, de um dia para outro outro, põe por terra todos os seus sonhos.

Se estamos num mundo onde tudo isto acontece o tempo todo com muita gente e se não há injustiças, como ficamos com o tapa? E com relação a todas as injustiças?

É um problemão.

Teríamos que buscar um argumento que abarcasse com incrível justeza o que parece injustificável. Há filosofias religiosas e científicas que, basicamente, dizem que estamos numa espécie de matrix ou videogame super elaborado onde o ponto em questão para “passarmos de fase” é o progresso moral.

Progresso moral… talvez soe um pouco vago ou confuso, porque geralmente, o que é muito sintético, como é a palavra moral, precisa ser esmiuçado para que consigamos captar um pouco da sua profundidade.

Vamos então, falar brevemente de moralidade face à lei de causa e efeito.

Segundo a lei de causa e efeito, estamos exatamente onde precisamos, convivendo com as pessoas difíceis e todos os dissabores necessários para que convertamos as dificuldades em oportunidades de aperfeiçoamento moral através da superação na prática do bem.

Assim, o mal que eu recebo pode significar a quitação de um mal que eu já produzi, mas, pode ser outra coisa, como por exemplo, um teste de resistência nalguma virtude, para que eu vença alguma deficiência moral que eu tenha.

Dentre os filósofos que passaram pela Terra, o maior dele é, sem dúvida, Jesus. Ele dizia que todo o mal do homem na Terra se resume em duas grandes chagas morais: O orgulho e o egoísmo. São palavras bastante sintéticas, portanto, profundas. Por isso, antes de finalizarmos este texto, vamos pormenorizar um pouco o orgulho, tão presente na relação humana.

Analisando a hipotética do tapa, concentremo-nos no nosso agressor. Bom, se estou recebendo este tapa por uma razão, seja pela minha postura autoritária, pelo meu orgulho inflamado ou porque, simplesmente, eu “desci o braço” em alguém nalgum momento da minha existência, é correto que eu sinta raiva, mágoa ou ódio da pessoa que me feriu?

Não seria mais adequado, para não dizer racional ou lógico, que eu sentisse compaixão deste que, de certa forma, é instrumento do meu teste moral? Se, ao receber o tapa, estou me quitando de um mal que já produzi, este que produz o mal ao me agredir, segundo a lei de causa e efeito, terá igualmente que se quitar do mal que fez, não é mesmo?!

Mas, geralmente, “o sangue sobe” e a gente se ofende bastante… e faz sentido que assim o seja. Lembra quando dissemos que o instinto de conservação está presente na raça humana há mais tempo que o uso do raciocínio? E que o raciocínio humano, ainda muito infantilóide, tem sido empregado como meio de se cometer mais excessos que dão prazer em vez de nos guiar à escolhas baseadas na razão?

Esse é o X da questão… presente por mais tempo ao longo da evolução humana, é compreensível que o “sentir” seja mais forte que o “pensar” e ainda conduza o “agir”. Afinal, somos seres viciados em sensações. O pensar é muito infantil e fraco para um sentir forte e viciado… e o raciocínio sem moral é uma imensa tragédia nesse meio.

Por isso, excedemos nos prazeres e adoecemos. Por isso, ainda não refletimos o mal que recebemos e nos ofendemos. Então, tomados pela torrente da emoção perturbada, continuamos sem agir, para reagir, apenas, feito bicho, feito a pedra que não pensa.

É de se pensar…

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