TOLERÂNCIA

Quem de nós poderia dizer “Eu tenho a verdade”?

A verdade absoluta, para ser atingida, necessita do conhecimento pleno das ciências, das coisas, das origens, meios e fins de tudo o que existe dentro e fora da percepção humana. Portanto, a verdade absoluta não é patrimônio do homem. Com conhecimentos bastante limitados, qualquer tentativa que fizéssemos para obtê-la, na melhor das hipóteses, resultaria num esboço muito tacanho do que ela é.

Todavia, respaldados pelo raciocínio, pela lógica, e com base no que já conhecemos, podemos conceber as nossas “verdades”. Mas, estejamos cientes de que seja qual for a convicção que tenhamos, esta ainda será bastante incompleta, na razão do nosso conhecimento incompleto.

Mensagens de Luz

Sócrates dizia que a sabedoria ultrapassa os limites da capacidade humana e que, por isso, não temos como captá-la na sua totalidade. Segundo seu ponto de vista, o verdadeiro sábio é aquele que se vê sempre na posição de aprendiz, pois percebe que quanto mais se aprofunda numa ciência qualquer, melhor ele antevê a imensidão do que ainda não sabe.

Eis o sentido da máxima:

“Tudo o que sei é que nada sei”

Perceba que para tanger a sabedoria, a humildade é premissa e o orgulho, entrave. Imperfeitos e incapazes de abarcar a verdade absoluta, podemos, quando possível, expor nossas opiniões, mas não poderemos jamais impô-las. É preciso ainda muita cautela para não permitir que a vaidade intelectual nos leve ao fanatismo, pois este, o fanático, vê o seu ponto de vista como verdade absoluta, e faz-se incapaz de apreciar um ponto de vista que divirja do seu, considerando toda opinião contrária à sua como verdadeira afronta a lhe ferir o orgulho.

Noutras palavras, no plano das idéias, o máximo que podemos fazer quando a outra parte se predispõe a nos ouvir, é apresentar a nossa opinião, sem, no entanto, poder exigir qualquer aceitação do outro naquilo que cremos. Toda pessoa tem o direito à livre escolha de suas convicções. Devemos respeitar as convicções do outro, inclusive, quando estas nos parecerem ilógicas.

Perceba que em uma discussão, quando uma das partes está afetada pelo orgulho ferido, dificilmente ela se permitirá à análise de opiniões adversas às suas. Não raro, nós mesmos somos esta outra parte, pois costumamos nos julgar detentores da razão e, geralmente, bloqueamos informações que poderiam ampliar os nossos horizontes no caminho infindável do aprendizado.

É assim que uma discussão logo se torna disputa, enquanto um fala e o outro não escuta, porque está pensando no que vai dizer em seguida. Devido aos nossos vícios de orgulho e vaidade, esquecemos que discutir não é disputar, e quando ocorre a disputa pessoal, a pauta do assunto já não é mais o foco.
Quando o objetivo da discussão dá lugar à necessidade de querer estar certo, o melhor a fazer é esquivar-se, pois o orgulho impede que o raciocínio flua com lucidez. É quando, na tríade da relação humana, o “sentir” sobrepuja o “pensar” e comanda o “agir” que, por sua vez, estará contaminado pela emoção perturbada.
Coloque-se no lugar do outro. Imagine que você é ele e que possui as limitações dele, as convicções dele, a criação que ele teve, e com base nisso, diga para você mesmo se você não pensaria e não agiria exatamente como ele. Toda pessoa tem o direito à livre escolha de suas convicções, de acordo com as suas capacidades intelectivas, por mais absurdas que nos pareçam.
Cessar a necessidade de estar certo é como dizer ao próprio ego: “Não sou seu escravo”. E ceder a um mais tolo, que demonstra ter essa necessidade, é caridade moral.
Pensemos nisso.

Muita paz.

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